Anunciar no Google Ads sendo médico significa aparecer para quem já está procurando o que você faz: uma consulta, um exame, um procedimento ou um especialista na sua cidade. O caminho tem cinco partes — termos de busca bem escolhidos, região limitada ao que a clínica atende, anúncios dentro das regras da publicidade médica e do Google, uma página de destino específica e uma medição que vá além do clique. Quem pula alguma delas costuma pagar por visitas que não viram agendamento.
Este artigo mostra cada etapa na ordem em que ela deve ser feita, com os cuidados específicos da área da saúde. O resultado de qualquer campanha depende da especialidade, da região, da concorrência, da verba e, principalmente, de como a clínica atende quem chega. Nenhuma configuração resolve um atendimento que demora horas para responder.
O que precisa estar pronto antes de abrir a conta
A conta do Google Ads leva poucos minutos para ser criada. O que leva tempo é o que vem antes:
- Uma oferta clara. Qual consulta ou procedimento vai ser anunciado? “A clínica toda” não é uma oferta; “consulta com endocrinologista em [cidade]” é.
- Uma página de destino. O anúncio precisa levar a uma página que fale exatamente do que foi anunciado, com identificação do médico (nome, CRM e RQE) e um jeito simples de entrar em contato. O artigo sobre landing page para médicos detalha o que ela precisa ter.
- Um atendimento preparado. Alguém precisa responder telefone e WhatsApp no horário em que os anúncios rodam, com roteiro, agenda à mão e informação de valores e convênios.
- Uma forma de registrar a origem do contato. Sem isso, depois de um mês ninguém sabe quantos pacientes vieram do Google.
Também vale decidir quem é dono da conta. O ideal é que ela fique no nome do médico ou da clínica, com acesso de administrador do próprio médico. A agência ou o profissional que opera entra como usuário. Assim, o histórico não se perde se a parceria acabar.
Como estruturar a conta: campanhas, grupos e região
Para a maioria dos consultórios, o ponto de partida é a campanha de pesquisa: anúncios de texto que aparecem quando alguém digita um termo no Google. Outros formatos (display, vídeo, Performance Max) têm seu lugar, mas raramente são o primeiro passo de quem ainda está aprendendo o que funciona.
Uma estrutura simples e organizada:
| Nível | O que define | Exemplo genérico |
|---|---|---|
| Conta | Pagamento, usuários, conversões | Clínica X |
| Campanha | Orçamento, região, horário, idioma | Consulta de cardiologia — [cidade] |
| Grupo de anúncios | Um tema de busca | Check-up cardiológico |
| Palavras-chave | O que o paciente digita | “check-up cardiológico [cidade]” |
| Anúncios | O texto que aparece | Título, descrição, link |
Separe campanhas quando o orçamento ou a região precisarem ser diferentes. Separe grupos quando a busca for de um tema diferente — consulta de rotina e exame específico, por exemplo, merecem textos diferentes.
Na localização, prefira um raio ou uma lista de cidades que o paciente realmente percorre para chegar à clínica. Nas opções avançadas, escolha “presença” (pessoas que estão ou costumam estar na região) em vez de “presença ou interesse”, que pode mostrar o anúncio para quem só pesquisou sobre a cidade.
O horário dos anúncios deve acompanhar a capacidade de resposta. Se ninguém atende depois das 18h, um clique às 22h vira uma mensagem que só será respondida no dia seguinte — quando o paciente já falou com outro consultório.
Como escolher as palavras-chave
Comece pequeno e com intenção alta. Em vez de dezenas de termos amplos, escolha poucos que indiquem que a pessoa quer marcar uma consulta:
- Especialidade + local: “dermatologista em [cidade]”, “ortopedista [bairro]”.
- Procedimento ou exame + local: “[exame] em [cidade]”, “consulta de [procedimento]”.
- Busca por proximidade: “urologista perto de mim”.
Termos informativos (“o que é [condição]”, “sintomas de [condição]”) costumam trazer quem quer ler, não marcar. Podem ser úteis em fases mais maduras, com outra página e outra expectativa, mas raramente no início.
O Google oferece três tipos de correspondência:
- Ampla: o anúncio pode aparecer para buscas relacionadas, inclusive sem as palavras exatas. Dá volume, mas exige vigilância.
- Frase (termo entre aspas): a busca precisa conter o sentido da frase.
- Exata (termo entre colchetes): a busca precisa ter o mesmo significado do termo.
Para quem começa com verba limitada, frase e exata dão mais controle. Desde o primeiro dia, inclua palavras-chave negativas para bloquear buscas de emprego, cursos, residência e outros temas que não trazem paciente. O artigo palavras-chave negativas para clínicas traz uma lista inicial por categoria.
Como escrever anúncios dentro das regras
Aqui o médico tem duas camadas de regra. A primeira é a Resolução CFM nº 2.336/2023, que trata da publicidade médica: identificação do profissional, vedação a sensacionalismo, a promessa de resultado e a autopromoção que induza o paciente a erro, entre outros pontos. A segunda é a política de Saúde e medicamentos do Google, que restringe certos temas, exige certificação para alguns e proíbe textos que sugiram que o usuário tem uma condição de saúde.
Este conteúdo é educativo; antes de publicar, consulte a resolução vigente e a política atual da plataforma.
Na prática, um anúncio seguro e eficiente costuma:
- dizer o que é oferecido e onde: especialidade, tipo de consulta, cidade;
- trazer informação útil: atendimento particular ou convênios, horários, facilidade de agendamento;
- usar linguagem neutra, sem “o melhor”, “garantido”, “resultado em X dias” ou preço promocional;
- não falar com o paciente como se ele tivesse a doença (“Você sofre de…?” é um exemplo do que evitar);
- levar a uma página coerente com o texto.
Use os recursos do anúncio (antigas extensões): links para páginas internas, frases de destaque como “Atendimento particular” e o número de telefone. Eles ocupam mais espaço na página de resultados e respondem perguntas antes do clique.
Para onde mandar o clique
O anúncio do Google deve levar a uma página que continue exatamente a conversa que o anúncio começou. Se o anúncio fala de consulta de ginecologia, a página fala de consulta de ginecologia — não da home da clínica com todas as especialidades.
Na página, o paciente precisa encontrar em poucos segundos:
- o que é oferecido e para quem;
- quem é o médico, com CRM e RQE;
- onde fica e como funciona o atendimento;
- um botão de WhatsApp, telefone ou formulário curto.
O formulário deve pedir só o necessário para retornar o contato — nome, telefone, talvez o melhor horário. Nunca peça informações clínicas (sintomas, diagnósticos, exames) em formulário ou WhatsApp de captação: são dados sensíveis pela LGPD e devem ser tratados apenas no atendimento.
O que medir no Google Ads
O Google Ads mostra impressões, cliques e custo por clique. Nenhum desses números diz se a campanha trouxe paciente. Configure como conversão as ações que indicam um contato real:
- envio do formulário (registrado na página de agradecimento ou no evento de envio);
- clique no botão de WhatsApp;
- ligação a partir do anúncio.
Depois, na clínica, registre o que aconteceu com cada contato: respondido, qualificado, agendado, compareceu. Com essa planilha, é possível calcular o custo por paciente agendado e, quando houver estrutura, importar os agendamentos de volta para o Google Ads como conversão offline. O artigo sobre indicadores de marketing para clínicas mostra quais números acompanhar e em que ordem.
Nenhum evento enviado ao Google deve carregar nome, telefone ou qualquer dado do paciente.
Como definir orçamento e lances no começo
O Planejador de palavras-chave do Google mostra uma faixa estimada de custo por clique para cada termo na região. Com ela, dá para fazer uma conta simples: quantos cliques a verba mensal compra e, com uma taxa de contato hipotética, quantos contatos isso pode gerar. É uma estimativa, não uma promessa.
Para o início:
- prefira estratégias de lance que você entende, como maximizar cliques com limite de custo por clique ou custo por clique manual;
- deixe estratégias automáticas de conversão para quando a conta já tiver acumulado conversões suficientes para o algoritmo aprender;
- evite espalhar a verba em muitas campanhas: poucas campanhas bem alimentadas aprendem mais rápido.
Se o custo por clique estimado for alto demais para a verba disponível, é melhor reduzir a região ou focar em um único procedimento do que rodar tudo com orçamento diário que se esgota no meio da manhã. O artigo quanto investir em marketing médico ajuda nesse cálculo.
Erros comuns de quem anuncia sozinho
- Usar o botão de anúncio sugerido pelo próprio Google sem revisar palavras-chave, região e textos.
- Deixar a correspondência ampla sem nenhuma negativa e descobrir, semanas depois, que a verba foi para buscas de vagas de emprego.
- Mandar o clique para a home da clínica ou para o perfil do Instagram.
- Medir sucesso pelo número de cliques.
- Ligar a campanha numa sexta e só olhar os resultados no mês seguinte.
- Escrever anúncios com promessas que a publicidade médica não permite e ter o anúncio reprovado ou, pior, aprovado e questionado depois.
Passo a passo para a primeira campanha
- Escolha um procedimento ou tipo de consulta para começar.
- Prepare uma página de destino específica, com CRM e RQE visíveis.
- Crie a conta no nome do médico ou da clínica e conclua a verificação de anunciante.
- Configure as conversões: formulário, WhatsApp e ligação.
- Monte uma campanha de pesquisa com região restrita, idioma português e horário compatível com o atendimento.
- Crie dois ou três grupos de anúncios por tema, com poucas palavras-chave em frase e exata.
- Adicione a lista inicial de palavras-chave negativas.
- Escreva anúncios neutros, informativos e coerentes com a página.
- Defina o orçamento a partir do custo por clique estimado.
- Revise o relatório de termos de pesquisa toda semana nas primeiras semanas.
- Registre, na clínica, a origem e o desfecho de cada contato.
- Ajuste com base em custo por paciente agendado, não em cliques.
Se a sua especialidade tem muita busca por sintoma e procedimento, como urologia ou cardiologia, o Google tende a ser o primeiro canal; as páginas de marketing para urologistas e de Google Ads para médicos mostram como a ADR estrutura esse trabalho junto com o atendimento da clínica.